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Gruta

por De Sousa, em 28.10.21

O que outrora foi, hoje ficará

Na gruta mista de memórias 

Repleta de vivências e mixórdias 

Que um dia o tempo levará.

 

A gruta permanece na esperança

De que alguém a encontrará

Para que em última estância 

Dar o que de bem, nesta gruta, estará.

 

Ela sempre procura como fim

Não chegar ao ponto da sua rutura

Não se tornando assim

A culpa da sua própria tortura.

 

 

 

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Ligações

por De Sousa, em 08.06.20

Ligações prisioneiras, sem explicação

Sem julgamento, uma queda vertical

Pode ser à família ou à nação

Tudo acaba por ter um ponto final.

 

Fugimos do sofrimento

Erramos, enleamo-nos ao que nos rodeia

Iludida em contos, fábulas, sereias

Infelizmente, amadurecemos com o tempo

 

 Caímos sem levantar voo, morta

Desamparados numa realidade dura, sofrimento

Procuramos sair juntos, ajuda

Mas somente depende da vontade, autoestima.

 

Mundos diferentes interligados.

Forças da natureza, esgotadas

Falta de causas abraçadas…

O fim tem os seus dias contados.   

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Tu

por De Sousa, em 23.05.20

Tu e só tu

Sempre foste tu

Perco me nesse olhar

Esse olhar nu e cru

 

És uma falha no meu sistema

Acabei por dar-te nada e tudo

Perto de ti torno-me surdo e mudo

Tu és o vento e eu a pena

 

És mágica sem truques

Feitiços sem chamas

Viajo para outro mundo

Outro mundo em que me chamas

 

Esta é uma história sem fim

Nada disto tem correspondência

Lamento por não me amares a mim

Com todo o teu amor, na sua essência

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Esforço

por De Sousa, em 21.05.20

Não sei se é a minha personalidade

Não sei se tenho maturidade

Nem sei se alguma vez terei certeza

Não sei se terei essa proeza.

 

Penso que controlo tudo

E não tenho nada controlado

Nesta relação, contudo

O meu medo é sobrevalorizado.

 

Sei que não sou perfeito

Tentando-o ser

Será este o meu defeito?

Não te consigo responder.

 

Escrevo-te por algo estar errado

Eu procuro estar contigo

Todos os esforços passam-te ao lado.

 

Provavelmente é por ser o primeiro

Por isso vou ser franco

Dou tanto a ti

Porquê é que não te apercebes o quanto?

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Afrodite

por De Sousa, em 19.05.20

Ficarei eternamente sozinho

Se contigo não ficar,

Na estrada à beira do moinho

As tardes íamos lá passar.

 

Uma admiração permanente

Que eu sinto aquando penso em ti

Falta de racionalidade, naturalmente

Chora, beija-me, ri.

 

Expresso o que não sinto

Sinto o que não acreditas

Calças sem um sinto

Não são calças proscritas.

 

Recorro-me ao mau presságio

Não estou preparado para o teu nível

Neste jogo sem estágio

Há claramente um grande desnível.

 

Descrições prolongadas infinitas

Todas as tuas qualidades descritas,

Mas por mais que tente elogiar-te,

Prometo eternamente amar-te.

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